terça-feira, 31 de outubro de 2017

Fórum Cidadania Porto apela à câmara para evitar fecho da Confeitaria Cunha


Fórum Cidadania Porto apela à câmara para evitar fecho da Confeitaria Cunha

Futuro da histórica confeitaria pode estar em causa, depois de ter recebido uma ordem de despejo. Mas a autarquia afirma que o pedido para o estabelecimento integrar o programa Porto de Tradição, que protege as lojas históricas, foi esta segunda registado nos serviços camarários.

LUSA 30 de Outubro de 2017, 19:19

O Fórum Cidadania Porto defendeu esta segunda-feira "a necessidade urgente" de a câmara do Porto fazer os "possíveis" e "impossíveis" para que a Confeitaria Cunha não encerre. A autarquia garante que a loja foi esta segunda registada no programa 'Porto de Tradição'.

Num apelo dirigido ao presidente da câmara do Porto, Rui Moreira, o Fórum salienta tratar-se de "uma obra emblemática de Victor Palla e Bento d'Almeida, datada dos anos 70 e um dos marcos do Moderno na cidade do Porto".

"Confessamos a nossa perplexidade, não tanto pelo esquecimento a que os serviços da Direcção Regional de Cultura do Norte votaram este espaço - que vem no seguimento do que têm feito em várias outras situações - mas pelo facto de o espaço do snack-bar Cunha não estar já Classificado de Interesse Municipal e, mais recentemente, no rol de lojas contempladas pela iniciativa camarária 'Porto de Tradição'", afirma.

Trata-se de uma "obra total" em que "a dupla de arquitectos - formada, aliás, na Escola do Porto (onde se refugiariam do academicismo lisboeta e onde se conheceram) - pôde pensar todos os detalhes, como era comum à sua praxis, tomando particular interesse e inventividade na tipologia por eles importada do snack-bar", acrescenta.

O Fórum Cidadania Porto lembra que, recentemente, se realizou "uma grande retrospectiva" no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, que deu a conhecer "o seu trabalho transdisciplinar e cujo catálogo contém importantes contributos para o entendimento da singularidade da sua obra no panorama nacional e mesmo internacional: Victor Palla e Bento d' Almeida. Arquitectura de outro tempo".

A câmara do Porto confirmou à Lusa que o pedido da Confeitaria Cunha, estabelecimento fundado na cidade em 1906 e que pode ter de encerrar, para integrar o programa 'Porto de Tradição' foi esta segunda-feira registado nos serviços camarários.

"A Câmara do Porto recebeu um pedido de reconhecimento de loja histórica, no âmbito do programa "Porto de Tradição", do estabelecimento Cunha, registado dia 30 de Outubro de 2017 nos nossos serviços", avançou à agência Lusa fonte do gabinete de imprensa da autarquia, após um pedido de esclarecimento desta agência sobre se aquele estabelecimento comercial centenário da cidade estava, ou não, no rol de lojas contempladas pela iniciativa camarária.

A mesma fonte indicou que o pedido chegou aos serviços camarários na sexta-feira transacta. "Como é do conhecimento público, o programa 'Porto de Tradição protege as lojas históricas que apresentem pedido/requerimento e, dessa forma, através da análise de um grupo independente, têm a possibilidade de reconhecimento como estabelecimento de interesse histórico e cultural ou social local", acrescentou a mesma fonte.

Na edição de sábado, o Jornal de Notícias noticiou que o novo dono do prédio Emporium, onde está instalada a Confeitaria Cunha, fundada em 1906 como padaria, não quer renovar o contrato de arrendamento que termina a 30 de Abril de 2018.


Segundo o JN, "embora não se saiba qual o projecto que o novo proprietário - a Emporium 658-Investimentos Imobiliários, Lda - tem em mente, os funcionários da Cunha suspeitam de hotelaria".

Um Titular que não é um "Gentleman"...Francisco Calheiros. “Quem é rico pode viver no Chiado, quem não é não pode. É assim”



Francisco de Calheiros e Menezes pode ser um Titular mas um "Gentleman" ele não é :
“Têm de ir para Rio de Mouro? Se calhar, têm. Ou para o Barreiro, Almada ou Montijo? Se calhar, têm. Quem é rico pode ir para o Bairro Alto ou para o Chiado, quem não é não pode. Não há um mundo perfeito.”
Francisco Calheiros. “Quem é rico pode viver no Chiado, quem não é não pode. É assim”
Para o presidente da Confederação do Turismo Português, este é um dos preços a pagar pelo crescimento do turismo e, com ele, a subida do preço das casas
SÓNIA PERES PINTO
28/10/2017 11:54
O presidente da Confederação do Turismo Português (CTP), que também tem assento na Concertação Social, afirma que a questão do salário mínimo nacional ainda não foi discutida pelos parceiros sociais, mas afasta um aumento para além dos 580 euros dizendo que, se para umas empresas essa subida não faz diferença, para outras irá prejudicar a sua atividade. Francisco Calheiros destaca ainda a importância do turismo como um motor de crescimento económico e, por isso, vê com naturalidade a criação de um Ministério do Turismo, juntando outras áreas. Ficou de estudar este dossiê até ao final do ano.
O turismo tem vindo a bater recordes, mas os últimos números já apontam para um abrandamento…
Eu não diria que é um abrandamento. Os últimos dados que temos são de agosto e, nesse mês, o turismo subiu menos, mas porque não pode subir mais e, mesmo assim, se formos ver o número de turistas, estes são muitos mais em agosto do que em janeiro. O que acontece é que, hoje em dia, estamos a vender mais a época baixa e regiões que foram descobertas recentemente pelos turistas, daí um dos destinos que mais têm crescido ter sido os Açores, enquanto os que menos subiram foram Lisboa e Algarve, porque já não há capacidade para aumentar muito mais. O crescimento em agosto foi de 9%, mas é um crescimento de 9% em cima de um número já muito grande e que tem vindo a subir nos últimos quatro anos. Mas convém não esquecer que tivemos uma crise em 2008 e, por isso, 2009 não foi um ano bom, assim como não foram 2010 e 2011. Tivemos um período muito difícil em que não só o turismo não cresceu como pior do que não ter crescido foi o facto de os preços terem baixado bastante. No entanto, os últimos quatros anos têm sido bons e a nossa perspetiva é que 2017, se nada de anómalo vier a acontecer, irá acabar por ser um ano bom e, de acordo com todas as projeções futuras de reservas que temos, acredito que iremos ter um bom ano de 2018. E quando estamos a ter maior crescimento e maior ocupação, isso significa que podemos ter melhor preço. E este está a crescer percentualmente mais do que a ocupação e é isso que se pretende para aumentarmos a rentabilidade das nossas empresas, que muito precisam.
E há capacidade para aumentar ainda mais os preços?
Apesar de estarmos melhor do que estávamos há dois anos ou três anos, ainda há espaço para crescer. Nos últimos dois anos, a componente preço tem sido mais importante do que a componente crescimento. E não podemos esquecer que o nosso mercado interno não chega a ser 30% da nossa procura e, como tal, dependemos obviamente do mercado internacional, e este tem estado a reagir bem, como é o caso do mercado espanhol, francês, alemão e países nórdicos. O único alívio que tivemos foi com os turistas britânicos por causa do Brexit. Numa primeira fase não se notou tanto porque, como estes turistas reservam com muita antecedência, o ano passado acabou por ser ótimo porque crescemos 10%; este ano já se sentiu um alívio. De janeiro a junho assistiu-se a um crescimento na ordem dos 4%, e em julho e agosto cresceu-se menos. Estamos atentos a esta situação e temos tido bastantes conversas com o Instituto do Turismo de Portugal e com a Secretaria de Estado do Turismo, mas também não podemos querer crescer bem em todos os mercados, tanto que se tem criado mercados novos importantíssimos, como o americano e o asiático. O americano foi uma grande aposta da nova administração da TAP, os voos mais do que triplicaram e já se assiste todos os meses a um crescimento de 20 a 30% dos turistas americanos. Este é um turista que interessa bastante porque não só tem uma estadia maior como gasta mais. O mesmo se aplica ao mercado asiático. Não tínhamos voos diretos, agora já temos, e isso faz toda a diferença. E estes dois mercados mais do que a compensam a quebra do Reino Unido.
Portugal tem condições para manter este crescimento?
Hoje em dia há novas regiões que estão a ser descobertas, como os Açores ou o norte do Porto, e estamos a assistir ao aparecimento de ofertas diferentes. Já não é só sol e mar, congressos ou golfe. A tendência é para crescer desde que não haja anomalias.
Como atentados?
Assistimos a isso em Espanha, França, em Inglaterra, entre outros países.
E estamos a ganhar turistas por isso?
Quando se tem um problema num determinado país, os turistas não têm forçosamente de vir para Portugal. Somos uma alternativa igual a tantas outras. O que acho é que estamos a adaptar-nos bem às novas características e temos criado uma oferta que os turistas gostam.
E com a crise na Catalunha, Portugal poderá sair beneficiado?
Barcelona é um destino concorrente. Por exemplo, uma empresa americana ou alemã que estivesse interessada em fazer um grande congresso em Barcelona e desiste, isso não significa que venha para Lisboa ou para o Porto. Pode optar por Viena, Madrid, Praga, Budapeste, porque são cidades que concorrem entre si. Sou daqueles que não veem nas crises grandes oportunidades e não é bom para Espanha nem para a Europa estarmos a assistir a uma situação daquelas.
Eventos como Web Summit são melhores para atrair turistas?
Sem dúvida.
Os hotéis já estão esgotados para este evento?
Já há muitos cheios, mas não estão esgotados. Mas isto porque a capacidade hoteleira também tem crescido nos últimos anos.
O certo é que o crescimento da economia portuguesa assenta muito no turismo…
Se há atividade que tem contribuído para o aumento do emprego, com 60 mil postos de trabalho criados, para o crescimento do produto interno bruto (PIB) - nomeadamente para o equilíbrio positivo da balança comercial -, tem sido o turismo, mas temos de ter noção de uma coisa: o turismo não pode ser a única alternativa em Portugal. Mas sem dúvida que o turismo ajuda muito, é muito transversal e arrasta muitas áreas. Ainda há pouco tempo vi uma notícia de uma marca automóvel a dizer que tinha tido o melhor ano de sempre por causa do turismo. E porquê? Porque vendeu milhares de carros a rent-a-cars, para o turismo. Não podemos esquecer que um turista chega a Portugal e compra coisas, anda de transportes, vai a museus, a restaurantes, e tudo isso dinamiza as mais variadas empresas. Agora, o turismo, consoante os vários setores, raramente chega a 20% da nossa economia - desengane-se quem pense que o turismo vai ser a tábua de salvação de toda a economia. Ou seja, é importante, mas não podemos viver só do turismo, tem de haver mais economia além do turismo, apesar de acreditar que vamos ganhar quota de mercado em relação a outras atividades. Aliás, nem seria bom ser tudo afunilado a este setor porque não podemos perder as nossas características e autenticidades. Mas sem dúvida que é um setor muito importante e isso até se vê a nível da competitividade. O turismo português é o 14.o destino turístico mais competitivo do mundo, o que significa que estamos a jogar na Premier League, enquanto Portugal ocupa o 46.o lugar do ranking.
É necessário implementar algum tipo de medidas para consolidar este crescimento?
Quando Portugal está a crescer desta maneira e de forma sustentada ao longo dos últimos anos, há um determinado tipo de situações a que temos de nos ir adaptando. Por um lado, temos de criar novas centralidades, não podemos ter todas as pessoas na Torre de Belém, no Castelo de São Jorge ou na Baixa. Por exemplo, a zona da Expo, se aliarmos a MEO Arena ao centro comercial e ao Oceanário, e imaginemos que instalávamos lá a Feira Popular, conseguiríamos criar uma nova centralidade, com a vantagem de que está quase colada ao aeroporto. Outra coisa que foi implementada, e que até há pouco tempo não tínhamos, foi a limpeza na cidade ao sábado e ao domingo, e a falta dela era incomportável porque muitos turistas vêm cá ao fim de semana. Outra questão é a segurança: por exemplo, se quiser ir ao Cais do Sodré, hoje em dia, encontra numa quinta-feira milhares de pessoas quando há uns anos atrás não encontrava ninguém. Quando as pessoas falam em autenticidade aponto o caso do Cais do Sodré como um bom exemplo. O que era o Cais do Sodré há 20 anos? Era uma zona mal frequentada, insegura e sem comércio. Hoje em dia é exatamente o contrário: é uma zona autêntica que está povoada, segura, com animação e comércio. É óbvio que nessa transformação há sempre alguém que é atingido. Ninguém queria morar lá ou no Bairro Alto, agora já querem, mas é caro. É claro que não se pode querer ir agora para lá aos preços de há dez anos, quando eram zonas inseguras. Por exemplo, se sempre foi a um determinado restaurante, mas está numa zona turística e agora está sempre cheio, ou desiste ou tolera. Eu deixei de ir ao Ramiro, que considero a melhor cervejaria de Lisboa, porque está sempre cheio independentemente das horas. Tenho pena de não ir ao Ramiro? Tenho, mas tudo o que tem muito movimento tem sempre contrapartidas, umas melhores, outras piores. Não podemos esquecer-nos que temos mais 50% de turistas do que tínhamos há cinco anos e isso tem de ter repercussões. Mas, de uma forma geral, temos conseguido adaptar-nos bem.
Mas o turismo provoca depois o problema das rendas e da especulação imobiliária…
Em nenhuma cidade da Europa as pessoas vivem no centro da cidade. Por exemplo, em Londres, as pessoas moram a uma hora de comboio. Em Paris e Madrid é igual. Os preços agora estão caros? Estão, mas também está bom para quem já comprou e pode rentabilizar; para quem começa, está mais difícil. Se calhar têm de ir para zonas onde o turismo ainda não acontece. Têm de ir para Rio de Mouro? Se calhar, têm. Ou para o Barreiro, Almada ou Montijo? Se calhar, têm. Quem é rico pode ir para o Bairro Alto ou para o Chiado, quem não é não pode. Não há um mundo perfeito. Provavelmente, há uns anos era possível arrendar um apartamento simpático por 500 euros no Bairro Alto, agora nem por 500 nem por 1000 nem por 1500 euros. Mas também é um produto diferente: neste Bairro Alto custa mais porque houve uma mudança completamente estratégica e as pessoas não podem querer pagar por este Bairro Alto o que pagavam há uns dez ou 20 anos atrás.
O problema é que afeta toda a cidade…
Ainda não afeta Lisboa toda. É evidente que se pretende que os vários governos tomem um conjunto de medidas para incentivar os contratos de longa duração para tornear isto. Se me perguntar se faz sentido que, num determinado bairro, um determinado número de pessoas já não tenha lugar porque os turistas ocuparam essa zona, até digo que sim e que posso aceitar; o que não faz sentido é não haver nenhum português nesse bairro. Tem de haver um determinado tipo de ordenamento até porque está a haver uma receita do turismo gigantesca: em impostos, em derrama, em IVA, em IRC. E o turismo é a única atividade exportadora que paga IVA, logo está aqui receita extraordinariamente importante. Quando se exporta um casaco ou um automóvel não é pago IVA mas, como o turista vem para cá, já paga IVA e obviamente que uma parte da receita tem de ser reinvestida na estrutura do turismo. Foi anunciada, por exemplo, a taxa de turismo - da qual discordo porque sou contra tudo o que são impostos indiretos - mas, já que se cobra essa taxa, ela tem de ser reinvestida em produtos relacionados com o turismo.
Recentemente, António Costa defendeu que Portugal tem de estar agradecido ao turismo…
O primeiro-ministro disse isso no Dia Mundial do Turismo e acho que só fica bem. O turismo foi muito rápido a sair da crise, embora também tenha sofrido. Considero o desemprego a maior praga que pode existir - já falei disso com psicólogos, e nós adaptamo-nos a quase tudo, ao frio, ao calor, à doença ou ao desgosto, menos ao desemprego. E o desemprego também atinge as pessoas que estão empregadas porque entram numa fase de não arriscar nada para serem despedidos e toda a economia é afetada. Há três anos tínhamos 17% de taxa de desemprego, hoje temos menos 9%, e sem dúvida nenhuma que foi o turismo que mais contribuiu para essa redução. Acho que os empresários do turismo deviam ter uma estátua. Há outro exemplo da importância do turismo para a economia. A balança comercial foi há dois anos, pela primeira vez em 40 anos, positiva porque a balança do turismo contava com três mil milhões de euros de importação e 12 mil milhões de euros de exportação, ou seja, a balança comercial foi nove mil milhões de euros positiva. Isso significa que ter uma balança positiva graças ao turismo é muito bom para qualquer país. Mas tem haver mais alternativas além do turismo.
Defendeu recentemente a criação de um Ministério do Turismo. Porquê?
Se o turismo contribui para isto tudo, então porque é que não há? Tudo passaria por uma nova orgânica do turismo que poderia começar pelo Turismo de Portugal. Somos fãs do Turismo de Portugal e dos seus técnicos, mas deveria ser extraordinariamente reforçado. Temos cerca de 17 delegados lá fora quando devíamos ter 170, isto é, é preciso muito mais gente lá fora porque o trabalho que fazem é notável. Por outro lado, o Turismo de Portugal, sendo um instituto público, está sujeito à contratação pública, o que não faz sentido tendo em conta a sua importância. Por exemplo, há um país cliente nosso que costuma muito ir a um outro país, mas que vai deixar de ir por causa da instabilidade. Numa situação dessas, temos de ir logo para lá com toda a força para apresentar os nossos produtos e não faz sentido estarmos à espera de um concurso público para que isso aconteça. Quanto ao ministério, comprometemo-nos até ao final do ano a ter essa situação estudada e até lá vamos falar com vários intervenientes, ex-secretários de Estado, ex--presidentes do Turismo de Portugal, para recolhermos bastantes informações. Não faz sentido existir um Ministério do Turismo sozinho, mas nesta estrutura podem estar integradas outras atividades, como as infraestruturas que contam com os aeroportos e com os transportes. Se isso acontecesse e se fosse tudo trabalhado no seu conjunto, provavelmente não teríamos problemas como aqueles com que nos deparamos. Podia ser chamado Ministério da Economia, do Turismo e Infraestruturas, ou por outra ordem. E como o aeroporto é da responsabilidade do Ministério das Infraestruturas, esse é um dos problemas com que já nos deparamos e o que mais me preocupa.
Já foi apontado o Montijo como alternativa à Portela…
Eu diria que o novo aeroporto tem 99% de hipóteses de ir para o Montijo. Mas temos aqui duas grandes questões. Uma deles é a data de arranque, que é em 2022. Ainda estamos muito longe, temos de encurtar prazos. Sei que há muita coisa em cima da mesa, nomeadamente os problemas dos ambientalistas, das autarquias, da Força Aérea, mas o que digo é que o aeroporto do Montijo é uma questão de interesse nacional. Não é possível termos feito tudo bem e, agora, os turistas não conseguirem chegar cá. Segunda questão: e até lá? Há coisas que se podem fazer, temos de ter mais voos noturnos e temos de conseguir ter mais frequências por hora. Se conseguirmos ter estas duas questões associadas, conseguimos ter mais voos quase no imediato.
E utilizar temporariamente o aeroporto de Figo Maduro?
Está decidido que vai ser o Montijo, nem quero pensar noutra solução. Caso contrário, começamos tudo de novo: estudos, análises, etc., porque ao falarmos noutra geografia atrasa-se todo o processo. E infelizmente consigo arranjar um estudo a dizer que o Montijo é a melhor solução e outro a dizer que é a pior. Para mim, está bem decidido apenas porque está decidido. Se por acaso fosse decidido Figo Maduro, estava a dizer que a melhor solução seria Figo Maduro; não quero é voltar atrás em relação à decisão que já está tomada.
Mas até 2022 o atual aeroporto fica esgotado?
A ideia que tenho é que neste momento já se começa a recusar slots. Bem sei que são slots mais nobres, mas já começam determinadas companhias aéreas a querer voar a determinadas horas e nós não temos slots para oferecer.
Foi agora apresentado o Orçamento do Estado para o próximo ano. Como analisa o documento e o impacto que pode ter para o setor?
Ainda está a ser analisado, mas numa primeira leitura há uma regra de economia que devíamos seguir e que diz que só devemos distribuir riqueza depois de a criar. Estamos há anos e anos em défice e, apesar de não ter nada contra, não sei se faz sentido ter mais escalões de IRS, porque o Estado vai ter menos receita porque vai cobrar menos às pessoas. Também não sei se estamos em situação de aumentar os pensionistas numa altura em que as despesas são maiores, e o mesmo acontece com o descongelamento das carreiras da função pública, porque vai representar mais despesa pública, logo mais défice. Ainda por cima estamos a fazer isso tudo numa situação económica estável a nível mundial, não há recessão nem nenhum subprime anunciado. Estamos com um câmbio e um preço do petróleo extraordinário, estamos com Euribor negativa, e isso leva-me a citar um ex-ministro socialista, Daniel Bessa, que diz que, nesta altura, um défice zero era mau e o governo aponta ainda para um défice negativo. O governo está a ser imprudente e, se calhar, devia ser um bocadinho mais cauteloso. Devíamos concretizar essas medidas mais tarde, e aí, sim, com um sinal lá para fora mais reforçado do que aquele que foi dado em 2017 e com a confirmação da nossa saída do lixo, que também ocorreu este ano. Então, se calhar, em 2019 estaríamos em melhores condições para implementar essas medidas.
Mas aí entra a pressão do PCP e do BE, que apoiam o governo…
Se calhar, sim, mas o governo tomou uma decisão e isso também tem trazido vantagens. Nunca tivemos uma paz social como temos agora. Acredito que não era isso que os parceiros queriam, mas cabia ao governo explicar que era isso que se devia fazer. No que diz respeito às empresas, não houve nada de muito significativo. A velha história do IRC, e que estava tratada inclusive com o PS quando era oposição, não sofreu alterações, e acho que seria importante apresentar medidas para o reinvestimento das empresas, que está a regredir. E nem sequer coloco a questão de a derrama vir a acontecer na especialidade, porque isso seria pior do que mau. Também devia haver medidas mais concretas para as empresas, nomeadamente para a sua capitalização.
E em relação às medidas para o turismo?
Houve uma série de propostas que fizemos e que achávamos que faziam todo o sentido serem contempladas, mas não se viu nada até agora. E estamos a falar de coisas de impacto mínimo. Por exemplo, uma maior aposta na promoção que, para nós, não é uma despesa, mas um investimento.
Mas conta com medidas que vão penalizar a atividade de alojamento local...
Sim, pelas informações que temos é que vai ser mais penalizador para esta atividade.
E resolve o problema do imobiliário?
Podemos olhar para o alojamento local de várias maneiras, mas garanto que este foi a salvação para muitas famílias que, ao arrendarem um ou dois quartos, puderam sair de uma situação em que enfrentavam sérias dificuldades de sobrevivência e, com isso, conseguiram ter um rendimento que lhes permite ter uma vida digna. É tudo perfeito? Não, não é perfeito. O alojamento local tornou as casas mais caras e criou problemas em determinados condomínios. Mas, como se diz, não há bela sem senão. Sem dúvida que o alojamento local é uma nova forma de turismo e todas as novas formas de turismo são bem-vindas. O que defendo é que o alojamento local esteja regulamentado e fiscalizado, exatamente como acontece com outras atividades. Mas não podemos esquecer-nos que foi graças ao alojamento local que foi possível requalificar zonas como o Cais do Sodré ou o Bairro Alto. Não há soluções perfeitas, principalmente quando temos 22 milhões de turistas que representam 55 milhões de dormidas. Tem de haver de tudo, Portugal não é um resort e os turistas têm de andar espalhados. Há muitas pessoas que não conseguiam arrendar as suas casas por 50 euros, mas hoje arrendam a 50 euros ao dia e criam uma série de empresas em torno deste negócio.
A CTP tem assento na Concertação Social. Como vê a questão do aumento do salário mínimo?
Claramente não há folga para aumentar para os 600 euros. Essa questão ainda não foi posta em cima da mesa em Concertação Social. O programa do governo aponta para um aumento para 580 euros em janeiro de 2018 e para 600 euros em janeiro de 2019. Apesar de parecer que um aumento de 20 euros é pouco, e até é, não podemos esquecer que a subida do salário mínimo tem em conta uma série de princípios indexantes, como a inflação e a produtividade, porque estamos a falar de aumentos de 5%, muito acima da inflação. Já falei com muitos empresários do setor e todos eles dizem que não pagam o salário mínimo. Fico muito contente quando oiço isso, mas também sei que há empresas em que essa subida faz toda a diferença, principalmente em atividades mais pequenas e que não estejam em grandes centros, como Lisboa e Porto. Essas, sim, têm dificuldade em pagar mais. Além de que o valor do salário mínimo é uma referência e sou apologista de que quem pode deve pagar mais. Acredito que todos os empresários gostariam de pagar mais mas, infelizmente, para alguns isso não é possível e para esses tem de haver este indicador.
Mas o governo já veio mostrar abertura para discutir um aumento maior...
Mas o governo não precisa de autorização por parte das confederações para aumentar o salário mínimo, pode fazê-lo por decreto-lei. Mas uma das coisas importantes para um país, e desde a altura da troika que ouço isso, é que a concertação social funcione. E penso que também é importante para o governo que o acordo seja assinado com os parceiros sociais, tal como aconteceu nos últimos dois anos. A questão do salário mínimo é emocional e racional. Quem é contra pagar 600 euros como salário mínimo? Eu não sou. A questão é saber se é possível, e se para umas empresas é, para outras não.
Por último, os incêndios que atingiram o país já estão a penalizar a imagem de Portugal?

Os incêndios foram notícia em todo o mundo. Foi uma má notícia, e bem piores que os incêndios de Espanha e dos Estados Unidos face ao número elevado de pessoas que morreram. Por exemplo, nos EUA ardeu o dobro da área de Portugal e morreram duas pessoas; cá morreram mais de cem, o que não faz sentido nos tempos que correm. Por outro lado, ardeu uma área muito grande de território e ardeu a nossa autenticidade. O turismo é território, uma das coisas mais deprimentes que pode acontecer é passar por zonas ardidas. A nossa beleza natural foi extraordinariamente prejudicada.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Moradores do Bairro Alto queixam-se que já não dormem nem de noite nem de dia


Moradores do Bairro Alto queixam-se que já não dormem nem de noite nem de dia
POR O CORVO • 30 OUTUBRO, 2017 •

Conhecido pela vida nocturna, o Bairro Alto passou também a ser local de romaria turística durante o dia. Durante as 24 horas, há gente a fazer barulho nas ruas, queixam-se os residentes. Uma situação que, acompanhada do crescimento do alojamento local, perturba o descanso dos moradores e descaracteriza o bairro. No período diurno acontece um pouco de tudo: encontram-se pessoas alcoolizadas, indivíduos em práticas sexuais, vandalismo de carros e distribuição de droga. Os moradores estão preocupados com o rumo dos acontecimentos. Alguns queixam-se ainda da solidão, do excesso de turistas e da falta de higiene urbana. O comércio local teme estar no fim dos seus dias. A presidente da Junta da Misericórdia reconhece que há problemas, mas diz que têm sido tomadas medidas para eliminá-los, melhorando a qualidade de vida dos moradores. Ainda assim, admite Carla Madeira (PS), o predomínio do alojamento local é o problema com os “contornos mais gritantes”.

 Texto: Sofia Cristino

 “Estou a usar Ajax para limpar as escadas, a ver se, desta vez, a sujidade sai!”, diz Maria Leandro, de 71 anos, moradora no Bairro Alto há 44 anos, enquanto limpa a entrada da sua casa. “Estou a limpar o que me sujaram durante a noite”, explica a O Corvo. Quem percorre a Rua do Diário de Notícias a um dia de semana depara-se, inicialmente, com um silêncio pesado. Quietude que, por vezes, é interrompida pelos tróleis dos turistas, uma ou outra pessoa alcoolizada a falar mais alto e, em dias de jogos de futebol, por grupos de amigos a cantarolar os hinos dos seus clubes. Ouve-se um ou outro murmúrio dos, já escassos, moradores, nas ruas mais desertas, que contrasta com as gargalhadas entusiastas dos turistas nos novos restaurantes que, entretanto, abriram. Durante o dia, os empregados dos bares limpam os espaços nocturnos, enquanto que os comerciantes esperam os clientes que teimam em aparecer.

 O Bairro Alto ganha vida à noite, mas o ruído e as situações mais insólitas começam a acontecer durante o dia. O problema do ruído, que perturba o descanso dos moradores, já não é novidade, mas, com o aumento do número de bares e outros estabelecimentos de restauração, nos últimos cinco anos, esta situação tem-se vindo a agravar. “O barulho começa cedo, mas das 2h às 5h da manhã é que não se consegue mesmo dormir. Durmo à tarde, quando consigo. Durante o dia, os fornecedores dos barris de cerveja também fazem muito barulho, falam muito alto. Hoje, por exemplo, estão cá e não estou a conseguir descansar, dedico-me às limpezas”, continua a contar a moradora, reformada e doente oncológica.

 O barulho sentido durante a noite – e, agora, também durante o dia – deixou de ser, contudo, a queixa principal de quem aqui vive. Lurdes Rodrigues, de 68 anos, comerciante e moradora na Rua da Atalaia, confessa que já viu práticas sexuais em plena luz do dia. “Este bairro está uma vergonha. Já vi de tudo. Às 8h da manhã, vi dois homens a fazerem sexo mesmo na minha porta”, afirma. “Liguei para a PSP e disseram-me que eram estrangeiros e que, por isso, não podiam fazer nada. Não sei onde isto vai parar”, lamenta.

Maria Leandro, partilha uma história semelhante. “Até já fizeram sexo aqui à minha porta, de dia, eram dois jovens muito novinhos. Já para não falar dos bêbados, que andam por aí a qualquer hora, já não temos sossego há muito tempo”, garante. A ex-funcionária do fisco confessa que, se pudesse sair do Bairro Alto, não pensava duas vezes. “Fui funcionária pública das Finanças toda a vida. Trabalhei tanto para agora viver neste cubículo, mas é assim. Só podia sair se ganhasse o Euromilhões”, desabafa, entre risos. As paredes da sua casa estão todas pintadas, mas Maria Leandro já nem quer saber. “Enquanto pintam as paredes, não fazem outras coisas”, acrescenta.

 Lurdes Rodrigues, nascida e criada naquela zona da cidade, diz que é com tristeza que olha para a deterioração do bairro histórico. “O Bairro Alto morreu, é só álcool e uma música que nem é música, é sempre a mesma batida. Os turistas só compram fruta e água, não acrescentam nada ao bairro. Ás vezes, apalpam as maçãs todas e não levam nenhuma. Não percebo porque estão a ocupar isto tudo. Alugam casas aos turistas, que são casas de merda, num bairro que já nem tem tradição”, queixa-se. Os clientes da sua acolhedora mercearia são os clientes habituais. Na rua onde vive, ainda tem dois vizinhos conhecidos e diz sentir-se muito sozinha. “Nos últimos cinco anos, isto piorou muito. Sinto falta do convívio. Durante o dia, não há vida e o turismo não nos ajuda. A rua está toda suja, cheia de copos e garrafas. Cheira a álcool e xixi. Temos de parar com esta macacada”, diz, indignada.

Nanda Rangi, de 44 anos, concorda com Lurdes Rodrigues num aspecto. “Os turistas só vêm aqui comprar água e fruta. Às vezes, estou aqui horas e horas, sem ninguém aparecer, isto está muito mau para o comércio. Qualquer dia, é só hotéis e hostels”, diz a funcionária de uma drogaria localizada mesmo em frente à casa de Maria Leandro. A comerciante mora duas ruas acima e vê com preocupação o rumo que o bairro típico está a levar. “Depois de almoço é só grupos de bêbados. Durante o dia, já não há moradores, o bairro mudou muito. Era um bairro de convívio, as pessoas cumprimentavam-se, mal saíamos de casa ouvíamos os bons dias, agora não se vê ninguém”, comenta.

Raúl Xisto, de 84 anos, está sentado num banco na drogaria de Nanda Rangi. Uma das formas que encontrou de ir passando o tempo, pois já não conhece praticamente ninguém. Diz que é o “solitário” do bairro, porque anda sempre sozinho. “Os andares do meu prédio estão alugados a turistas, são rapazes novos. Já só tenho um vizinho antigo. Uns morreram e outros foram forçados a sair. Havia uma carreira que ia até ao Terreiro do Paço e sempre nos tirava daqui, mas acabaram com ela. Estamos em fim de vida e devíamos ter um benefício por isso, mas estamos tramados”, lamenta. Quando os prédios começaram a ser alugados a turistas, a sua ex-mulher foi uma das moradoras que foi alvo de despejo. “Ainda tentei arranjar um rés-do-chão para a minha ex-mulher, mas as rendas estão muito altas e ela acabou por ir para um lar”, explica.

 O octogenário queixa-se, ainda, do barulho e do “cheiro insuportável” que se sente em algumas ruas. “As ruas só são lavadas à quarta-feira e sexta-feira e deviam ser lavadas todos os dias. Esta calçada também é um perigo para nós, pessoas com mais idade, andarmos”, comenta, ainda.

 Os moradores antigos mais jovens do bairro estão todos na casa dos 40 anos. Jorge Guerreiro é um desses exemplos. Morou na Rua do Norte dos 5 aos 25 anos. Concluída a universidade, rumou até ao Algarve, onde viveu 15 anos, tendo regressado a Lisboa no passado mês de Agosto por motivos profissionais. Desde então, diz ainda não ter conseguido um momento de descanso. “A noite é muito barulhenta, isto nunca pára. É todos os dias, durante todo o ano, e parece-me que a tendência é aumentar. Do que me queixo mesmo é dos alcoólicos, que ficam até ás 5h da manhã a cantar na rua num total desrespeito pelos moradores. Na Suíça, uma pessoa que esteja, depois da meia-noite, a gritar leva uma multa”, contrasta. “Já ouvi estrangeiros e turistas a dizerem que não querem cá voltar, quando vêem pessoas a vender droga, por exemplo. Há um conjunto de coisas a acontecer que estragam a cidade. Já me vandalizaram o carro várias vezes também”, acrescenta.

 Tal como outros moradores, Jorge Guerreiro também não é a favor das horas a que passam os camiões da recolha do lixo. “A recolha do lixo é feita de madrugada, muitas vezes à meia-noite e à 1h da manhã e, depois, novamente às 6h e às 8h da manhã. No domingo, por exemplo, uma pessoa não consegue dormir até mais tarde. Mas, pior que o lixo, é mesmo o vidrão, fazem muito barulho na recolha”, comenta, ainda.

 Rui Seixas, empregado do estabelecimento comercial Mercado do Bairro, apesar de só estar a trabalhar há cinco anos na zona, diz que já viu um pouco de tudo durante o dia e considera que há situações excessivas. “Às vezes, as pessoas perdem a noção, sobem para cima dos carros, deixam lá os copos, enfim, não se compreende”, comenta. Salienta, porém, que tais cenas são “acontecimentos esporádicos” e que os turistas, no seu caso, sempre ajudam o negócio.

 Ao contrário da maioria dos moradores, Maria Leandro e Jorge Guerreiro não consideram a vinda dos turistas um problema para o bairro. “O turismo é bom para Portugal. Às vezes, sentam-se nas minhas escadas para conversar, mas não me incomodam. Eles vêm para ver o bairro, não vêm para os bares”, explica a moradora. Jorge Guerreiro concorda. “Os negócios que nasceram aqui não me perturbam, até acho bem que surjam, desde que haja critérios e fiscalização do espaço público. No meu prédio, há alojamento local e os turistas até têm uma placa a dizer para ninguém tocar depois da meia-noite. São pacíficos”, explica.

 A presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, Carla Madeira (PS), vê como positiva a vinda dos turistas a “um dos bairros mais bonitos e históricos de Lisboa, com cores fortes e beleza arquitectónica”. Mas reconhece que o aumento do alojamento local é preocupante. “Não há nada mais cruel do que obrigar uma família a abandonar o seu lar. Temos vindo a fazer uso de todos os meios que possuímos para poder, se não travar, pelo menos mitigar este grave problema. De todos os problemas existentes na freguesia, este é o que toma contornos mais gritantes”, considera, em depoimento escrito a O Corvo. “É injusto e desumano”, qualifica.

 Luís Paisana, presidente da Associação de Moradores da Freguesia da Misericórdia (AMBA), em declarações a O Corvo, explica que o mau ambiente ali sentido, neste momento, está relacionado com dois fenómenos com grande relevância. O primeiro é o impacto que o ruído e o consumo de álcool continuam a ter na vida dos habitantes. “O Bairro Alto continua a ser um ponto de encontro de muitos turistas e jovens. O álcool é barato e as pessoas dormem em hostels, muitos deles clandestinos. Esta deterioração já tem vindo a acontecer há algum tempo, mas, nos últimos cinco anos, assistiu-se a um aceleramento deste processo, porque Lisboa está na moda, é segura e tem preços baratos”, explica.

 “O mau ambiente convergiu para a rua e tem vindo a agravar-se. A fiscalização dos bares, que agora fecham mais cedo, veio trazer problemas para as ruas”, completa. Jorge Guerreiro partilha a mesma visão. “Isto tem vindo a piorar, porque as pessoas gostam de modas. O Bairro Alto sempre esteve na moda, mas agora está mais e começam a vir para aqui pessoas de classes sociais mais baixas também, que antes não vinham e isso sentiu-se. O problema não é das pessoas que moram cá, é de quem vem de fora”, considera.

A segunda questão, não menos preocupante para Luís Paisana, é a “destruição do património”. “O Bairro Alto perdeu 10% da população, nos últimos dois anos, por causa do alojamento local, o que trouxe consequências, como a perda do sentimento de vizinhança e solidariedade que existia entre os moradores. Se precisarem da ajuda de um vizinho, não têm. O bairro vai ficando descaracterizado e muitos estabelecimentos de comércio tradicional vão ser substituídos”, assegura.

 A presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia tem uma perspectiva diferente quanto ao comércio tradicional. “O Mercado do Bairro Alto foi revitalizado há pouco tempo, por forma a receber ofícios tradicionais e, assim, aumentar a frequência diurna no local, ao mesmo tempo que protegemos os ofícios em vias de extinção na nossa cidade, como marceneiros, sapateiros, entre muitos outros”, assegura Carla Madeira.

 A autarca reeleita reconhece, contudo, que “ainda muito pode ser feito” para colmatar a deterioração do Bairro Alto. “Temos vindo a lutar por uma constante melhoria das condições de habitabilidade e de coexistência pacífica entre as funções comerciais e residenciais do Bairro Alto. A introdução do novo regulamento dos horários de funcionamento dos estabelecimentos, em vigor há sete meses, tem vindo a trazer melhorias visíveis nos comportamentos de muitos comerciantes”, explica Carla Madeira, que também se tem debatido por esta questão na Assembleia Municipal de Lisboa (AML).

 No que diz respeito à melhoria da Higiene Urbana, uma das principais reinvindicações dos moradores, Carla Madeira lembra que a Junta de Freguesia da Misericórdia colocou, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa (CML), contentores fixos na zona condicionada no Bairro Alto, para que o lixo não seja depositado na via pública. Alguns habitantes do bairro histórico, todavia, consideram esta medida insuficiente.

 Carla Madeira admite alguns problemas, que justificam as campanhas de sensibilização já realizadas. “É normal que as principais alterações não sejam visíveis de forma imediata, visto que as alterações a comportamentos há muitos anos instituídos não se realizam em meio ano. No entanto, estou confiante de que, com o nosso trabalho e o apoio da população das Associações de Moradores e Comerciantes, conseguiremos chegar a bom porto”, diz.

 Luís Paisana acredita que o projecto da AMBA, Um Bom Vizinho – aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), ao abrigo do programa BIP/ZIP (Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária) para 2017 – vai contribuir para, “pelo menos, diminuir” a solidão e a deterioração deste bairro situado no coração de Lisboa. Luís Paisana relembra, ainda, que a população sénior da Freguesia da Misericórdia representa quase 30% da população.

 A presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia garante que tem defendido o aumento da fiscalização no bairro histórico. “Estamos, desde há vários anos, a fazer uma articulação mais directa com entidades como a PSP, a Polícia Municipal e a CML, para aumentar a fiscalização no que diz respeito às práticas menos cívicas realizadas na via pública – consumo excessivo de álcool e práticas sexuais – e para que possamos devolver as ruas aos moradores”, explica.

 Jorge Guerreiro, morador, que também é investigador na Universidade Católica, diz mesmo que a diminuição da degradação do Bairro Alto passará, essencialmente, pela “fiscalização” e por “quadros políticos capazes de organizar a sociedade”. O investigador académico pretende sensibilizar a comunidade académica a debater a questão do respeito pelo espaço público e pondera mesmo, numa fase mais avançada, levar o assunto ao poder local. Ou mesmo até ao Governo.


 “Incomoda-me a falta de organização e a invasão do espaço público. A ideia é criar uma boa relação entre todos. Era muito fácil chegar aqui e não renovar as licenças e acabar com os bares, mas não é a solução. O regresso dos guardas-noturnos, uma proposta da Junta de Freguesia de Santo António, pode ser uma boa ideia”, defende. “A EMEL cresceu imenso e funciona muito bem. Se deixar o meu carro dez minutos no passeio, tenho logo uma multa, o que quer dizer que há fiscalização. Então, porque não há fiscalização no Bairro Alto também? Não há, porque não há interesse que haja. Porque não se vêem polícias?”, questiona, ainda, incitando à reflexão.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

“Estão bem um para o outro”.


Estamos perante o fim da nova PPP: Parceria Presidente Primeiro-ministro? Iniciou-se um ciclo de desconfiança e intriga politiqueira, passando rápidamente da gravitas da calamidade e da tragédia humana para o drama da manipulação política?
OVOODOCORVO já afirmou anteriormente sobre Marcelo e Costa : “Estão bem um para o outro”.
Será que Marcelo viu na tragédia uma oportunidade para utilizando os seus talentos de “enguia faladora” televisiva, tirar o tapete ao também habilidoso e contorcionista Costa , e afirmar assim a sua “independência de percurso”, perfilando-se através das suas visitas recheadas de abraços e beijos ?
A notícia publicada hoje pelo Público de que “estava tudo combinado” mas que mesmo assim Marcelo avançou no seu ultimato, confirmando assim um novo ciclo de “independência” e perfilando-se como Presidente de todos os portugueses, dá-nos a ideia que estamos ( de parte a parte / Marcelo e Costa ) perante labirintos e manobras na melhor tradição renancentista da política Florentina.

Revisitemos João Miguel Tavares:

A nova PPP: Parceria Presidente Primeiro-ministro
A grande questão sobre a sua primeira pequena entrevista é esta: por que aceita Marcelo desempenhar o papel de ventríloquo de António Costa?
João Miguel Tavares
24 de Janeiro de 2017, 7:0

O problema da entrevista de Marcelo Rebelo de Sousa à SIC é muito simples: se ele tivesse trocado de cabeça com o primeiro-ministro, ninguém teria dado pela diferença. António Costa poderia ter dito, sem retirar uma vírgula, tudo aquilo que o Presidente da República disse sobre o crescimento, sobre os bancos, sobre a dívida, sobre o défice, sobre a inflação, sobre a TSU, sobre a estabilidade, sobre a situação económica e sobre a situação política. Não houve uma única palavra proferida por Marcelo que se estranhasse na boca de António Costa, e até o único vestígio de crítica ao governo – a insuficiência do crescimento – já foi admitido pelo primeiro-ministro. Donde, a grande questão sobre a sua primeira pequena entrevista é esta: por que aceita Marcelo desempenhar o papel de ventríloquo de António Costa?
Será porque gosta muito de Costa? Porque odeia Passos? Porque acha que é o melhor para o país? Porque não quer chatices? Não tenho uma boa resposta – sei apenas que esta osmose é absurda e perigosa. Uma coisa é o Presidente da República desejar “estabilidade”. Até hoje, todos os presidentes da República desejaram “estabilidade”. Outra coisa, inteiramente diferente, é o palácio de Belém assinar uma inédita PPP (Parceria Presidente Primeiro-ministro) com o palácio de São Bento, nos seguintes termos: o segundo vende ao primeiro toda a argumentação acerca do espectacular estado do país; o primeiro compra essa versão e vende-a a todos os portugueses como se fosse sua e, portanto, “neutra”. Mais. Esta PPP até já vem com o seu credit default swap incluído, na figura do comentador e conselheiro de Estado Marques Mendes, que tem vindo cada vez mais a desempenhar o papel de avalista mediático do Presidente – e conspirador ocasional.
Para o caso de alguém ainda não ter reparado, Marques Mendes está para Marcelo como Marcelo está para António Costa: são caixas de ressonância uns dos outros. Com uma diferença. Enquanto Marcelo e Costa namoram às claras, Marcelo e Mendes andam a namorar às escuras. Eu comecei a desconfiar disso com as “descobertas” de Marques Mendes no caso da Caixa Geral de Depósitos e fiquei absolutamente convicto com as violentas acusações de “cata-vento” a Passos Coelho no caso da TSU. A palavra traía a sua origem. Marques Mendes é o novo bff (best friend forever) de Marcelo. As suas agendas estão demasiado coladas para ser um mero acaso. Este domingo, Mendes cedeu o seu tempo de comentário para a entrevista a Marcelo Rebelo de Sousa, e veio mais tarde, à frente da lareira de casa, expor a interpretação oficial das palavras do presidente, que depois passaram em loop nos noticiários da SIC.

Chamem-me esquisito: Marcelo como padrinho de Costa; Mendes como delfim de Marcelo, já em aquecimento para as presidenciais de 2026; cartas escondidas na manga; relações alimentadas de forma mais ou menos obscura e teatralizada; nenhum deles a assumir com um mínimo de lucidez as tremendas dificuldades do país e a complexidade da actual situação governativa; chamem-me esquisito, de facto, mas não estou a gostar nem um bocadinho de uma magistratura da confluência que em nome da “estabilidade” afecta os contrapesos do regime, com primeiro-ministro, Presidente e principal comentador da nação unidos por um fio invisível enquanto Portugal vai resvalando para o buraco. Esta Parceira Presidente Primeiro-ministro é como as outras PPP: desnecessária, imprudente e caríssima para o país.

De "enguia falante" a "Presidente Carnívoro".


Imagem do Dia / OVOODOCORVO
De "enguia falante" a "Presidente Carnívoro".
O Maquiavélico Marcelo:
“O estilo não são apenas os famosos afectos, mas também. Com a brincadeira dos abraços e dos beijinhos mais as selfies, Marcelo Rebelo de Sousa conseguiu não só uma enorme popularidade, mas uma grande proximidade aos portugueses — real ou percecionada.”
(…) “Mas temos de considerar também que Rebelo de Sousa é um jogador pouco inocente, como toda a gente sabe, mais famoso no passado pelo seu maquiavelismo cruel do que pela sua bondade desinteressada. É um táctico no curto prazo, mas é sobretudo estratega no longo. Tem uma cabeça geométrica, onde por vezes o mundo não encaixa. Mas tem uma flexibilidade e uma rapidez para se adaptar a novos quadros como poucos na política portuguesa.”
Vitor Matos

Medina promete conjugar a habitação com o turismo e aumentar a rede de eléctricos


Medina promete conjugar a habitação com o turismo e aumentar a rede de eléctricos
POR O CORVO • 27 OUTUBRO, 2017 •

Ainda sem ter garantido um acordo de governação para o seu executivo, Fernando Medina foi reempossado como presidente da Câmara Municipal de Lisboa, ao final de tarde desta quinta-feira (26 de outubro). Desta vez, como resultado do sufrágio directo da população da capital. Perante uma Praça do Município repleta, anunciou os principais compromissos para os próximos quatro anos: conjugar a habitação com o turismo, criar mais habitação acessível e adquirir 30 novos eléctricos. “A habitação é hoje um dos graves problemas que enfrentamos”, admite. Quanto às negociações com o Bloco de Esquerda para a formação de um executivo estável, Medina apenas diz que continua em diálogo com o partido. Fora da equação ficaram o PCP e o PSD.

 Texto: Sofia Cristino         Fotografia: David Clifford

 Melhorar a rede de transportes públicos, criar uma cidade mais sustentável e garantir que os jovens e a classe média tenham acesso à habitação na cidade de Lisboa são os grandes compromissos para o próximo mandato de Fernando Medina, anunciados, ao final da tarde desta quinta-feira (26 de outubro), no momento da sua tomada de posse como presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), numa cerimónia realizada ao ar livre, na Praça do Município, repleta de convidados.

 O edil reeleito, a 1 de Outubro, pelos lisboetas para presidir, nos próximos quatro anos, aos destinos da autarquia do maior núcleo urbano do país prometeu rendas acessíveis, “entre os 200 os 400 euros em média”, para que os jovens e a classe média voltem a viver na cidade de Lisboa, mantendo-se assim leal ao programa eleitoral. “Ao longo do mandato, queremos disponibilizar cerca de 6 mil casas para que as classes médias e os jovens possam viver na cidade de Lisboa”, declarou, repetindo uma promessa feita durante a campanha para as autárquicas.



“O mercado da habitação não está a funcionar bem na cidade de Lisboa, os preços são muito altos, muita gente não consegue encontrar casa em Lisboa, nem no sítio em que quer e, muitas vezes, em sítios já longe daquilo que querem. Nós temos de resolver esse problema”, reconheceu, admitindo que “a habitação é hoje um dos graves problemas que enfrentamos”.

 Questionado pelo O Corvo, já depois do seu discurso inaugural, sobre se o número de habitações chegará a todos, Fernando Medina, disse que a autarquia tem em sua posse “o número de habitações suficientes para desenvolver um verdadeiro parque habitacional para a classe média”. “Queremos proteger a cidade, os cidadãos e os jovens das oscilações do mercado que ora andam para cima, ora andam para baixo. Queremos que haja uma oferta pública que assegure sempre que há um stock muito significativo de casas no mercado a rendas acessíveis”, adiantou, ainda.

 Conjugar a habitação com o turismo será também uma das prioridades de Fernando Medina. “Prestaremos particular atenção à sustentabilidade do turismo que deve ser compatível com a qualidade de vida dos residentes, com a qualidade das infraestruturas básicas e com o acesso à habitação”, anunciou.

 Quanto às negociações para a formação de um executivo estável e que garanta a governação em maioria, Fernando Medina disse que continua em diálogo com os vários partidos e vereadores. “Estamos a dialogar e a ver se é possível estabelecer uma plataforma mais permanente de entendimentos ao longo do mandato ou se esses entendimentos terão de ocorrer de forma mais pontual ao longo do mandato”. E isso inclui o único vereador eleito pelo Bloco de Esquerda, Ricardo Robles.

 Já o PCP não conseguiu chegar a consenso com a autarquia. “Infelizmente, o Partido Comunista não se mostrou disponível para um acordo mais permanente de governação da cidade e não houve negociação”. Quando questionado sobre uma possibilidade de fazer um acordo com a Direita, Fernando Medina foi peremptório. “Acordos permanentes à direita não são viáveis dado as diferenças dos projectos políticos”, afirmou.

 No primeiro semestre de 2018, anunciou o presidente da câmara municipal, haverá, ainda, um concurso para a aquisição de 30 novos elétricos. Estender o eléctrico 15 a Santa Apolónia, recuperar o 24 entre o Cais do Sodré e Campolide e iniciar uma nova fase de expansão da rede na cidade são outros dos objectivos do executivo que acabou de tomar posse.

 Será ainda dado destaque a novas formas de mobilidade partilhada, ao aumento das zonas pedonais, ao crescimento das áreas verdes e à plantação de mais árvores na cidade, como fonte de bem-estar e de captura de carbono. “As alterações climáticas são uma realidade do presente e não uma ficção futura e a qualidade de vida é uma aspiração dos cidadãos”, reforçou Medina.

 Durante o primeiro semestre do próximo ano, será lançado, ainda, um concurso para a construção “dos primeiros seis centros de saúde de nova geração” e “novas unidades de creches”. “A população envelhecida tem de ter cuidados de saúde primários e as jovens famílias acesso a creches e escolas públicas de qualidade para os seus filhos”, defendeu. “Não faz sentido escolas dependerem do Estado Central para realizarem pequenas obras ou que um centro de saúde espere anos a fio para as questões mais correntes e necessárias”, disse ainda.

 O aumento do emprego e a diminuição das desigualdades sociais serão também duas das suas grandes prioridades, assim como, aumentar a economia de proximidade. “Até ao final do primeiro trimestre de 2018, aprovaremos a unidade de projecto para a rápida ampliação das zonas de escritórios, bem como as principais zonas de desenvolvimento”, anunciou.

 O autarca reempossado salientou, ainda, a importância de Lisboa “continuar a ser um referencial de liberdade, esperança e futuro para todos”, numa altura em que a Europa e o Mundo enfrenta “riscos políticos, do nacionalismo, do racismo, da xenofobia, da intolerância cultural ou religiosa” de “uma gravidade impensável há poucos anos atrás”. “Ao longo de séculos, Lisboa foi local onde sucessivas gerações de seres humanos aspiraram e conseguiram construir um futuro melhor para si e para os seus. Hoje, queremos continuar a ter uma cidade onde todos tinham direito a uma vida digna e a concretizar os seus sonhos e o seu potencial”, disse.

 Helena Roseta, a presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, que abriu a cerimónia de tomada de posse relembrando que está na vida autárquica há 41 anos, e confessando para si o poder local é “uma paixão”, defendeu que é altura de concretizar a “descentralização da administração Central” e de dar mais competências mais competências aos municípios.
Na cerimónia que decorreu na Praça do Município, tomaram posse os 75 eleitos para a Assembleia Municipal (24 presidentes de junta e 51 eleitos directamente) e os 16 vereadores, marcando ainda presença o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira. 

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Vão apertar as restrições e a vigilância aos carros velhos a circular no centro de Lisboa


Vão apertar as restrições e a vigilância aos carros velhos a circular no centro de Lisboa
POR O CORVO • 26 OUTUBRO, 2017 •

Apesar de os resultados práticos da aplicação das Zonas de Emissões de Reduzidas (ZER) estarem muito aquém do desejado, já se pensa no aumento da exigência das mesmas. Os carros fabricados antes de 2000 poderão vir a ser proibidos de entrar no anel compreendido entre a Avenida de Ceuta e a Avenida Infante Dom Henrique. E na Avenida da Liberdade e na Baixa apenas deverão circular automóveis produzidos depois de janeiro de 2005. É o que defende o novo Plano de Melhoria da Qualidade do Ar da Região Lisboa e Vale do Tejo, a aplicar até 2020. E, para que o controlo passe a ser realmente eficaz, pede-se a criação de um sistema de vigilância electrónica. Tudo para controlar as emissões de dióxido de enxofre e outras partículas nocivas à saúde.

 Texto: Samuel Alemão

 Uma pequena revolução que teria de ser posta em marcha até 2020. Os automóveis novos comercializados a partir de janeiro de 2005 deverão ser os únicos autorizados a circular no eixo Avenida da Liberdade/Baixa (Zona 1) e os vendidos a partir de janeiro de 2000 apenas ser permitidos num anel delimitado pela Avenida de Ceuta, Eixo Norte-Sul, Avenida das Forças Armadas, Avenida EUA, Avenida Marechal António Spínola e Avenida Infante Dom Henrique (Zona 2), nos dias úteis entre as 7h e as 21h. Isto é o que defende Francisco Ferreira, professor da Universidade Nova de Lisboa e um dos autores da proposta do novo Plano de Melhoria da Qualidade do Ar da Região Lisboa e Vale do Tejo.

 O estudo, realizado com base em dados sobre a qualidade do ar entre 2011 e 2014, e que foi apresentado nesta quarta-feira (25 de outubro), já foi entregue à Secretaria de Estado do Ambiente, à qual cabe dar luz verde. Persistem, contudo, dúvidas sobre a entrada num novo nível de restrições à circulação, quando ainda são pouco claros os resultados da aplicação na capital das Zonas de Emissões Reduzidas (ZER). Por isso, há já quem fale na aplicação de um controlo mais efectivo dos automóveis que entram nas zonas centrais da cidade, recorrendo a dispositivos electrónicos. Consideram alguns, essa será a única forma de, efectivamente, fazer cumprir as limitações relativas à poluição atmosférica resultante do tráfego viário, impostas pela União Europeia.

Apesar das sucessivas fases das ZER anunciadas pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), com a primeira a entrar em vigor em julho de 2011 e a terceira e última em janeiro de 2015, existe um quase consenso de que os resultados estarão longe de ser animadores. “Apesar de não existirem dados concretos, é sabido que, no que se refere às ZER, há uma percentagem muito grande de veículos que circulam aqui nesta área central e que já não o deviam fazer”, disse Fernando Ferreira, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT), entidade que realizou o estudo – elaborado pelas suas técnicas Luísa Nogueira e Sandra Mesquita, em parceira com Francisco Ferreira.

 O vice-presidente da CCDR, entidade responsável pela transposição a nível regional de muitas das directivas comunitárias, vê tal permissividade como consequência de uma evidente dificuldade em policiar a aplicação das restrições. Uma situação que poderá ser revertida, defende, através da tecnologia. “Neste momento, não há qualquer pórtico a controlar as entradas”, constatou Fernando Ferreira no início da sessão, para depois, no final da mesma, e já depois apresentado o plano, voltar a insistir: “Não precisamos de inventar nada. Há muitos sistema lá fora, recorrendo a um controlo electrónico, aos quais podemos ir beber”. Ou seja, através de algo semelhante à Via Verde ou equivalente. Solução apoiada por Francisco Ferreira, que coordenou esta proposta de novo plano de melhoria da qualidade do ar.

 Tudo para que a saúde da população seja preservada em relação à sobrexposição ao Dióxido de Enxofre (NO2) e às muito nocivas partículas Pm10 – sendo esta, em grande medida, consequência directa dos motores a gasóleo. “A fiscalização é absolutamente crucial, senão temos regras não têm aplicação”, afirma o professor universitário e presidente da associação ambientalista Zero. “A fiscalização pode ter várias fases. Desejavelmente, deveria ter um sistema automático. Mas o caminho até lá não deve desculpar o não se fazer um aperto do controlo e da implementação de novos patamares”, afirma o especialista, para quem o apertar da malha às emissões poluentes resultantes do tráfego automóvel surge no topo da lista das medidas necessárias à melhoria da qualidade do ar na região de Lisboa, na qual a zona da Avenida da Liberdade continua ser uma zona crítica.

Só este ano, foi ali ultrapassado por 23 vezes o valor limite diário de emissões de dióxido de enxofre, quando as regras comunitárias impõem um tecto de 18 – em 2016, foram 14 as ocorrências registadas. Algo que só mudará, defende o professor universitário, quando acontecer um “reforço e a aplicação” das ZER, incluindo o “aumento do esforço de fiscalização”. Apesar de admitir a escassez de resultados do actual quadro de limitações à circulação de carros velhos no centro da capital, Francisco Ferreira coloca no topo das novas políticas e medidas do plano proposto para 2020 o “reforço da exigência das ZER”. “Estamos a permitir que veículos com 17 anos ainda circulem na zona mais crítica da ZER”, disse, referindo-se à possibilidade de os veículos construídos a partir de janeiro de 2000 (Euro 3) ainda andarem pela Avenida da Liberdade e pela Baixa.

 Por isso, o plano agora delineado preconiza a subida de um patamar em cada uma das zonas. Assim, propõe-se que na Zona 1 (Avenida da Liberdade e Baixa) se passe da norma Euro 3 para Euro 4, fazendo com que ali só possam circular veículos fabricados a partir de janeiro de 2005. Em simultâneo, avançar-se-ia na Zona 2 (delimitada pelo tal anel entre a Avenida de Ceuta e a Avenida Infante Dom Henrique) para os limites estabelecidos pela referida norma Euro 3, impedindo que ali circulassem carros da norma Euro 2 (construídos a partir de janeiro de 1996), como agora acontece. Algo que vai de acordo com o que disse, na abertura da sessão, o presidente da CCDRLVT, João Teixeira: “A sensibilidade e os parâmetros serão cada vez mais exigentes”.


 Além do reforço da exigência da ZER, a proposta do novo Plano de melhoria da qualidade do ar da região Lisboa e Vale do Tejo quer seja introduzidos “planos de mobilidade para empresas e pólos geradores de emprego” de forma a que essas entidades desincentivem a utilização do automóvel ou ainda a criação de “planos SOS”, a aplicar em momentos de maior emissão de poluentes, com a eventualidade de permitir apenas a entrada alternada em Lisboa de carros com matrícula par e ímpar. Uma solução já existentes em várias metrópoles europeias. Além disso, fala-se também na necessidade de “rever o enquadramento” das práticas de cargas e descargas ou ainda na criação de um código de boas práticas para mitigar os níveis de partículas em suspensão na atmosfera resultantes de obras ou demolições.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Ribeiro Telles e os “outros”…


Imagem do Dia / OVOODOCORVO

Ribeiro Telles e os “outros”…
Todos nós nutrimos um profundo respeito pelo Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles.
A coerência do seu percurso é referência permanentemente citada e reconhecida por todos.
Agora, pelos seus avisos críticos em relação à gestão Florestal, mais do que nunca.
Mas como todas as grandes almas, ele é indiscutivelmente bem intencionado. E portanto “Naif”?
Não terá sido ele, inadvertivamente, também profundamente “Naif”, e consequentemente utilizado no seu prestígio para “projectos políticos alheios” ?

OVOODOCORVO

O mito da “Independência” de Helena Roseta


O mito da “Independência” de Helena Roseta

OVOODOCORVO tem uma longa memória. Há muito que se movimenta, activo, no mundo da cidadania. Leva portanto a Cidadania a sério. Não se esqueçe do percurso de Helena Roseta .
Essa mesma Roseta, que depois de se ter utilizado do “Movimento” Cidadãos por Lisboa”, que se pretendia apartidário, como trampolim para alianças com António Costa, e ter sido eleita para Presidente da Assembleia Municipal, veio agora em artigo de Opinião no Público, em reviravolta típica de quem tem uma ambição de percurso pessoal na Política, declarar “divórcio” a Costa.
“Independências” como estas, só são comparáveis às de José Sá Fernandes. Outro Paladino da Cidadania que tem feito percurso político baseado exclusivamente na sua ambição de poder pessoal.

Recordemos portanto voltando a 2013:
"Gostaria muito que houvesse acordo com António Costa, mas eu e o meu movimento teremos que ver quem é a equipa e conversar sobre a estratégia e planos para o município", afirmou Roseta ... Movimento ? Que Movimento ? 06/02/2013
Todos aqueles que participam activamente no processo de cidadania têm razões para este cepticismo. Analisando o processo de eleição de José Sá Fernandes e de Helena Roseta, vindos de uma originalmente prometida independência e representação da causa da cidadania, teremos de concluir que a única forma de voltarem a participar nas eleições será através da "fórmula" de perfilamento e definição política inspirada por Prince, o famoso artista da música pop.
Assim, a "fórmula" de Prince, "O artista conhecido anteriormente como Prince", será a única possível de perfilamento e apresentação para estes dois "artistas" politiqueiros, José Sá Fernandes e Helena Roseta. Ambos conhecidos formalmente como paladinos da independência e cidadania, mas agora "transformados" por sua opção consciente e neutralizados por António Costa.
António Sérgio Rosa de Carvalho in Público, "Corpo Presente, Mente Ausente"/26/08/2012
https://www.publico.pt/…/corpo-presente-mente-ausente-25135…

PS confirma António Costa para recandidatura a Lisboa
Helena Roseta admite que gostaria de repetir acordo com socialista
António Costa será candidato a um terceiro mandato à Câmara de Lisboa - na verdade o socialista só fez um mandato e meio, depois de eleito nas intercalares de 2007. A decisão deve ter sido tomada ontem na reunião da comissão política concelhia de Lisboa do PS que ainda decorria à hora de fecho desta edição. Falta perceber quem será indicado para o segundo lugar e que a prazo, se o PS ganhar o município lisboeta, poderá ter que substituir Costa no caso de este vir a concorrer ao cargo de secretário-geral dos socialistas. Esta segunda decisão de Costa pode mesmo ser tomada já no próximo domingo, data da reunião do Conselho Nacional do PS e o prazo do "ultimato" para que Seguro consiga unir o partido. Helena Roseta, cujo nome tem sido apontado como provável para liderar uma candidatura à Assembleia Municipal pelo PS, negou ao PÚBLICO estar em negociações ou sequer ter falado sobre o assunto com os socialistas. "Gostaria muito que houvesse acordo com António Costa, mas eu e o meu movimento teremos que ver quem é a equipa e conversar sobre a estratégia e planos para o município", afirmou Roseta, realçando que não negociará com a concelhia socialista mas "directamente com António Costa, como aconteceu na última campanha". A vereadora adianta que o seu movimento - que elegeu seis deputados, dois vereadores e vários elementos nas freguesias da capital - ainda não reuniu e que este será soberano no assunto. As listas dos socialistas para as freguesias ainda estão em fase de construção, mas a concelhia parece empenhada em contar com alguns nomes fortes do PS e de personalidades conhecidas para ganhar a confiança dos lisboetas. Serão as primeiras eleições com o município reduzido de 53 para 24 freguesias. O ex-deputado e ex-secretário de Estado Miranda Calha é apontado como o cabeça de lista para a freguesia de Belém, mas escusou-se a confirmar ao PÚBLICO a candidatura. O deputado e ex-líder da Juventude Socialista Pedro Delgado Alves deverá ser o candidato ao Lumiar. Outro deputado, Miguel Coelho, está indicado para concorrer à freguesia de Santa Maria. Para a freguesia de Arroios, o PS deverá contar com a presidente da Abraço, Margarida Martins, e para S. Vicente deverá avançar a ex-vereadora de Lisboa, Natalina Moura. Maria Lopes
in Público
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terça-feira, 24 de outubro de 2017

APOIO TOTAL à nova Lei Macron que impõe limites de Volume de Som às Discotecas, Bares e Festivais. Pela Defesa da Saúde Pública!


APOIO TOTAL à nova Lei Macron que impõe limites de Volume de Som às Discotecas, Bares e Festivais. Pela Defesa da Saúde Pública!
OVOODOCORVO
“A public health decree published by the centrist government of President Emmanuel Macron in August was designed to help reduce hearing problems linked to loud music at clubs, concerts or festivals. It lowers the maximum sustained sound level by three decibels, to 102, and puts limitations on the volume of the deep basslines found in house, techno or drum’n’bass.”
France’s music scene under threat from new restrictions on noise
Rules designed to cut hearing problems from loud music risk silencing performers and killing nightlife, say leading figures

Angelique Chrisafis in Paris
Monday 23 October 2017 18.02 BST

For years, France fought to move beyond its sleepy image abroad as the quiet heart of fine dining and museums by heavily promoting its growing club scene, festivals and underground music culture.

But now French DJs, club owners and festival bosses are warning the nation’s ability to party is under threat from tough new restrictions on decibels and basslines.

Pioneering DJ Laurent Garnier and Jean-Michel Jarre, the godfather of French electronic pop, are among a group of music figures who have published an appeal in the daily Libération warning that new rules on lowering noise risk silencing performers and killing nightlife.

A public health decree published by the centrist government of President Emmanuel Macron in August was designed to help reduce hearing problems linked to loud music at clubs, concerts or festivals. It lowers the maximum sustained sound level by three decibels, to 102, and puts limitations on the volume of the deep basslines found in house, techno or drum’n’bass.

In their open letter, club professionals warned the decree risked curtailing the unique experience that is the French music scene after dark. The rules would “quieten down fun, muzzle music and stop artistic work living in its physical dimension”, the signatories pleaded.

“Public health worries us as much as the next citizen,” they added. “But we fear that artistic freedom is being sacrificed.” They complained that noise restrictions on amplified music were “an attack on the moral rights of performers over their work”.

They argued that powerful basslines that make people want to dance delivered a sensation “just as keenly felt as a beautiful voice is by other music fans”.

The rules are expected to come into force across France next year and will affect festivals and venues with a capacity of more than 300 people. Clubs and venues will be obliged to put up signs warning of risks to hearing from loud music as well as providing free hearing protection such as earplugs. They will also have to create quiet areas where the public can rest their ears from the music or else provide gaps in the music where the decibel level stays at 80 or lower.

Paris, which a decade ago was nicknamed the “city of sleep” for its relatively small club scene, has since seen a surge in venues in the city centre and the northern outskirts and promoters were keen not to hinder their growing success – particularly of small venues.

But music figures said it would be particularly difficult for smaller clubs across France to conform to the new rules.

A spokeswoman for the CSCAD union for music venue-holders and festival organisers told the Guardian: “This is a threat to our whole cultural aesthetic. It threatens works played and performed by artists at festivals and concerts everywhere, all types of music. You can’t ask a drummer to drum ‘softly’ even if they are playing with an orchestra.”

She acknowledged that it would be very difficult to overturn the decree but said dialogue was needed.

“We know there are health issues linked to hearing. That is worrying for the industry and we see younger audiences standing very close to speakers,” she said. “But it’s extremely important that we all sit down and talk through these measures that are almost impossible to apply. Even the fact that the decree mentions the word ‘discotheque’ – that term doesn’t exist anymore. This is going to affect all gigs and night-time music. We want to sit down and think about these problems together.”


French hearing associations estimate that between 6 million to 8 million people – 12-13% of the population – have hearing problems. Specialists say listening to loud music on headphones is the cause of increasing health problems, particularly among young people, while some experts recommend wearing earplugs at concerts or in loud clubs.

Aumento de turistas e estrangeiros tira antigos moradores de Lisboa


Aumento de turistas e estrangeiros tira antigos moradores de Lisboa
MATHEUS GOUVEA DE ANDRADE
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM LISBOA
FOLHA DE S.PAULO 23/10/2017  02h00
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2017/10/1929364-aumento-de-turistas-e-estrangeiros-tira-antigos-moradores-de-lisboa.shtml

Não é só Madonna, que recentemente anunciou sua mudança para Lisboa, que reclama de penar para achar casa na capital portuguesa.

Enquanto a popstar alugou um andar em um hotel para esperar, estudantes e aposentados enfrentam cada vez mais dificuldade para achar um teto em uma cidade onde um quarto passou a custar mais da metade do salário mínimo local de €557 (R$ 1.340).

O mecânico aposentado Antonio Alves mostra a casa no bairro lisboeta de Alfama da qual foi despejado

A alta nas locações de imóveis na cidade está, em larga medida, atrelada ao aumento do turismo em Portugal. Só em julho deste ano o país recebeu 2,2 milhões de turistas.

O site de locação para temporadas Airbnb anunciou aumento de 59% nas reservas de junho a agosto deste ano no país na comparação com o mesmo período de 2016.

Já a Uniplaces, referência na locação de imóveis estudantis, registrou salto de 11% no aluguel médio em Lisboa —menos, porém, que a alta em Porto, de 40% sobre 2016.

O crescimento na busca por estadias turísticas em Lisboa atrai investidores. "Com a crise internacional, o imóvel foi considerado um bem seguro e mais rentável do que o investimento financeiro", diz João Carlos Cabral, professor do departamento de Ciências Sociais e do Território da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa.

Não sem contratempos. "Quando o proprietário vê que pode despejar o inquilino, ele o faz. No meu prédio, um terço dos apartamentos são para o Airbnb. As pessoas foram morrendo, outros compraram, e alugam para temporada. Pessoas que sempre viveram em Lisboa, de repente, tiveram de sair", diz.

Antônio Alves, 71, vive desde 2007 na turística região da Alfama, que frequenta desde os 5 anos, em uma pequena casa que aluga por €280. Com uma ordem de despejo recebida em maio, o mecânico aposentado disputa na Justiça o direito de ficar. "Onde vou achar casa por €280? Vi uma sem janelas por €425. E quando vejo, já está alugado para um estrangeiro", diz.

Cabral corrobora: "Há entrada de novo capital. Para famílias que estão aqui há tempo, é difícil competir. "

O entorno da casa de Alves está em obras –cena frequente em Lisboa e Porto–, o que ele atribui ao turismo.

Ele lamenta a possível saída. "O hospital onde trato o coração é aqui em Lisboa, meus amigos estão aqui."

SEM SOBRA

A dificuldade para obter moradia levou a secretária aposentada Lídia Cardoso, 69, ao Partido Unido dos Reformados e Pensionistas, o Purp, criado em 2015.

Ela diz poder pagar o aluguel da casa em que vive há 45 anos com sacrifício. "Não sobra. Lisboa é linda, há muita coisa para ver, mas as pessoas não conseguem [aproveitar]." Para complementar a renda, ela ajuda nas atividades domésticas em duas casas duas vezes na semana.

O Purp diz que 28,2% da população lisboeta tem mais de 60 anos, e a parcela –sem êxodo– tende a aumentar.

José Antônio Borralho, 70, mora há 49 anos na mesma casa, e viu seu aluguel passar de €67 para €326 há dois anos, um salto de 386%. "Foi complicado, mas felizmente havia a aposentadoria da minha mulher", conta. Sem esse dinheiro, o segurança aposentado deixaria a cidade.

A paulistana Beatriz Souza, 27, mestranda na Universidade de Lisboa, busca quarto há mais de um mês. Dividida entre albergues e casas de amigos, ela diz ter chegado a ver três casas por dia, às vezes com dez interessados.

Beatriz confere diariamente cinco sites especializados em aluguel e grupos on-line –um que promete quartos a €300 tem 110 mil membros.

Seu colega André Filipe, vindo da região central do país, esperou de março a agosto pela resposta sobre um alojamento da universidade. Dos 48 mil alunos, só 3,5% deles conseguem alojamento. Filipe acabou alugando um quarto em um site para dividir com a namorada por €430.

Além do turismo, Portugal oferece benefícios a estrangeiros para a compra de apartamentos e visto de residência a quem compra um imóvel de mais de €500 mil. "Um francês, por exemplo, tem grandes vantagens em relação a seu país ", diz Cabral.


Para ele, o problema não é o turismo, mas o movimento repentino. "Pessoas esperam mais de uma hora por um táxi. Não as culpo, mas não houve preparo para o boom."

Vítimas da idade e do vandalismo, escadas rolantes da Baixa-Chiado serão substituídas


Vítimas da idade e do vandalismo, escadas rolantes da Baixa-Chiado serão substituídas
POR O CORVO • 24 OUTUBRO, 2017 •

O Metropolitano de Lisboa revela que uma das razões para a recorrente interrupção no normal funcionamento das escadas rolantes da estação Baixo-Chiado é o vandalismo. Reconhecendo as dificuldades em manter aqueles equipamentos em operação na totalidade do tempo, no que se vem assumindo já como um problema crónico, sobretudo naquela estação, a administração da empresa pública de transportes diz, porém, em resposta escrita a O Corvo, que está a fazer tudo para o conseguir.

 E se assegura estar a desenvolver esforços para que a perturbação seja erradicada, “com a maior brevidade” através da reparação dos mecanismos avariados, anuncia também que tem um plano de substituição integral dos mesmos. O concurso para os dois primeiros lanços de escadas já foi lançado. Resta aos utentes esperar que tais esforços se processem com rapidez. Só este mês, e até ao momento, explica a administração da transportadora, foram registadas quatro avarias, com os inevitáveis transtornos para os milhares de utentes diários.

 O problema é antigo, marcando há anos o quotidiano de todos os que usam uma das mais centrais e movimentadas estações da capital. Mas tem-se tornado especialmente persistente ao longo desta década. Logo no final do ano de 2010, verificou-se que a dúzia de escadas rolantes que servem aquela gare subterrânea, oito a ligar ao Chiado e quatro à Baixa, tinham somado 144 avarias. A situação, como é natural, revela-se especialmente mais incómoda na ligação ao Chiado, dada a distância e a inclinação a percorrer.

 Naquele mesmo ano, e no decurso da paralisação em simultâneo de oito das 12 escadas rolantes, até o então presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, considerou “inacreditável” o número de vezes que as infra-estruturas tinham de parar devido ao problemas mecânicos. Em dezembro de 2015, depois de questionado por O Corvo, o Metro explicava que as suspensões no funcionamento da escadas se deviam a “motivos técnicos, relacionados com a sua utilização regular intensiva”. E acrescentava que, “em alguns casos, atendendo à idade do equipamento, pode ser necessário proceder-se ao fabrico de peças para sua reposição”.

Agora, e perante a persistência dos problemas, o Metropolitano de Lisboa reitera o argumento da vetustez. E acrescenta-lhe outro. “As escadas mecânicas da estação Baixa Chiado têm perto de 20 anos de serviço contínuo e registam a maior taxa de utilização de todas as escadas mecânicas do Metro, servindo toda a população que utiliza esta estação como forma de ligar o Chiado à Baixa, e não apenas os clientes do Metro de Lisboa”, explica. “Desde o início do mês outubro, registaram-se quatro avarias nas doze escadas existentes nessa estação, sendo que estes equipamentos são, frequentemente, alvo de diversos actos de vandalismo, com consequentes paragens forçadas, o que implica que, por vezes, as escadas se encontrem momentaneamente paradas mas não por situação de avaria”, esclarece.

 Estimando que a “situação seja reposta com a maior brevidade, tendo em consideração o cumprimento dos prazos legais exigidos para este tipo de procedimentos, bem como os prazos necessários para o fabrico e instalação do referido equipamento”, o Metropolitano de Lisboa anuncia ter “em curso um plano para a substituição das escadas mecânicas da estação Baixa Chiado, que será realizado por fases”. A primeira, que prevê a substituição das escadas 7 e 8, as primeiras ao nível do átrio, no acesso ao Chiado, “já se encontra em curso, tendo já sido lançado um procedimento para o efeito”, diz a empresa pública, lamentando ainda o incómodo causado e reafirmando “o esforço no sentido de obviar e reduzir os tempos de paragem destas e das demais escadas mecânicas e elevadores existentes na restante rede”.

 Texto: Samuel Alemão