quinta-feira, 13 de agosto de 2015

'Financial Times' destaca "tempestade demográfica perfeita" em Portugal


'Financial Times' destaca "tempestade demográfica perfeita" em Portugal

O jornal britânico fala na combinação de uma taxa de natalidade em queda, uma grave recessão e uma onda de emigração que está a tornar o país numa sociedade de famílias de um só filho.
A notícia escrita pelo correspondente do Financial Times em Lisboa, Peter Wise, lembra que Portugal tem a mais baixa taxa de fertilidade da Europa (1,21 em 2013), e que dentro dos 34 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), apenas a Coreia do Sul tem um valor pior.
O jornal continua a falar das estatísticas para lembrar que entre 2010 e 2014 o país perdeu 198 mil habitantes (quase 2% da população) porque o número de mortes excede o dos nascimentos e a emigração aumentou. "Com um terço dos jovens com menos de 25 anos sem emprego, centenas de milhares de pessoas, na sua maioria jovens, decidiram emigrar", lê-se no artigo.
Além do mais, "outro mergulho na fertilidade é óbvio desde o início da crise financeira", indica o Financial Times, citando um relatório da OCDE. O jornal usa então a expressão "tempestade demográfica perfeita", dizendo citar o editorial de um jornal português, para definir a situação.
Nos piores cenários do Instituto Nacional de Estatística, a população portuguesa cairá para os 6,3 milhões em 2060. Mas mesmo nas projeções mais otimistas, Portugal deverá perder dois milhões de habitantes em 45 anos.
O artigo arranca com o exemplo de um grupo de vestuário para crianças (Goucam), de Viseu, que oferece um "incentivo de maternidade" no valor do salário mínimo (505 euros) aos funcionários que tenham filhos.
Lembrando que o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho considera a queda da taxa de natalidade como "um dos mais graves desafios que enfrenta Portugal" e já pediu à Comissão Europeia para tornar o tema prioridade nos próximos anos, os esforços para atingir um "consenso político" no país antes das eleições de outubro falharam.
Susana Salvador In DN online / 12-5-2015


Sem comentários: